Este espaço é reservado à parcela da produção de sonetos da grande poetisa gaúcha ALMA WELT (1972-2007) que contém nítida conotação humorística, embora o humor sutil perpasse de um modo geral toda a sua obra.
domingo, 22 de julho de 2012
De morte, velhice e dinossauros (de Alma Welt)
De morte, velhice e dinossauros (de Alma Welt)
Quase tudo tem razão de ser na vida,
Mesmo o sofrimento e injustiça
Que servem talvez para a subida
E valem bem mais do que uma missa.
Mas a morte? Não estou tão convencida
Do acerto da decisão de Deus...
E pior se a gente fica envelhecida,
Coisa que é um erro sob os céus.
Velhice, decadência e mais doença.
Coisas errôneas, feias, negativas,
Com as quais embasamos nossa crença.
Mas perdoai-me, Senhor, meu desabafo
Por não vos compreender as tentativas
Passando pelos dinos com seu bafo...
A Culpa é do Camões (de Alma Welt)
Os versos têm me vindo em catadupa
E mal posso explicar esse fenômeno
Mas devo sugerir num prolegômeno
Que Camões e o amor levem a culpa.
Alma minha, muito além da Taprobana,
Não a dele mas a minha desde logo
Pra desespero da mãe, a Açoriana
A quem tardiamente o perdão rogo,
Se mesmo versejar é meu destino
Mormente nas fatais quatorze linhas
De manhã, de noite e ao sol a pino
Não me desculparei pela avalanche,
Mesmo se entre ervinhas e no lanche,
Por sonetos que no peito escrito tinhas...
E mal posso explicar esse fenômeno
Mas devo sugerir num prolegômeno
Que Camões e o amor levem a culpa.
Alma minha, muito além da Taprobana,
Não a dele mas a minha desde logo
Pra desespero da mãe, a Açoriana
A quem tardiamente o perdão rogo,
Se mesmo versejar é meu destino
Mormente nas fatais quatorze linhas
De manhã, de noite e ao sol a pino
Não me desculparei pela avalanche,
Mesmo se entre ervinhas e no lanche,
Por sonetos que no peito escrito tinhas...
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