sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O dia a dia da Poesia (de Alma Welt)

Que poeta eu seria se tivesse
Que esperar a bendita inspiração,
Torcendo pra que logo ela viesse
Para decolar do rés do chão?

Ou bater na porta da minha Musa
Por colher de açúcar ou por um ovo,
Como a vizinha, a tal, meio confusa
Que é uma expressão do nosso povo?

Jamais cozinho eu meu belo almoço
Com bons ingredientes emprestados,
Nem pra tentar trazer aquele moço

Que mora bem no fim do corredor,
E que nos põem assim alvoroçados
Se cruzamos corações no elevador...

domingo, 9 de janeiro de 2011

A Velha Torre (de Alma Welt)

Ainda construímos nossa torre,
Na babel de nossos sonhos incompletos;
Passamos dos limites como um porre
Acreditando ainda sermos prediletos.

Mais mimados pelo Pai que castigados,
Nós iremos até onde Ele deixar;
Filhos tão turbulentos, desleixados,
Que até emporcalhamos céu e mar.

Naturalmente isso não vai acabar bem,
Temos tudo pra dar c’os burros n’água,
E depois rimar com a velha mágoa...

Esperando a herança e não um pito,
Ostentando humildade quem não tem,
Vestiremos nova pele de cabrito...