Que poeta eu seria se tivesse
Que esperar a bendita inspiração,
Torcendo pra que logo ela viesse
Para decolar do rés do chão?
Ou bater na porta da minha Musa
Por colher de açúcar ou por um ovo,
Como a vizinha, a tal, meio confusa
Que é uma expressão do nosso povo?
Jamais cozinho eu meu belo almoço
Com bons ingredientes emprestados,
Nem pra tentar trazer aquele moço
Que mora bem no fim do corredor,
E que nos põem assim alvoroçados
Se cruzamos corações no elevador...
Este espaço é reservado à parcela da produção de sonetos da grande poetisa gaúcha ALMA WELT (1972-2007) que contém nítida conotação humorística, embora o humor sutil perpasse de um modo geral toda a sua obra.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
A Velha Torre (de Alma Welt)
Ainda construímos nossa torre,
Na babel de nossos sonhos incompletos;
Passamos dos limites como um porre
Acreditando ainda sermos prediletos.
Mais mimados pelo Pai que castigados,
Nós iremos até onde Ele deixar;
Filhos tão turbulentos, desleixados,
Que até emporcalhamos céu e mar.
Naturalmente isso não vai acabar bem,
Temos tudo pra dar c’os burros n’água,
E depois rimar com a velha mágoa...
Esperando a herança e não um pito,
Ostentando humildade quem não tem,
Vestiremos nova pele de cabrito...
Na babel de nossos sonhos incompletos;
Passamos dos limites como um porre
Acreditando ainda sermos prediletos.
Mais mimados pelo Pai que castigados,
Nós iremos até onde Ele deixar;
Filhos tão turbulentos, desleixados,
Que até emporcalhamos céu e mar.
Naturalmente isso não vai acabar bem,
Temos tudo pra dar c’os burros n’água,
E depois rimar com a velha mágoa...
Esperando a herança e não um pito,
Ostentando humildade quem não tem,
Vestiremos nova pele de cabrito...
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