Foto: a famosa e inesgotável Arca de inéditos da Alma
O Medo da Alma (de Alma Welt)
Devo aqui confessar meu maior medo
Que já me faz acordar sobressaltada,
Que é que tudo seja só engano ledo
E a minha Arca afunde, naufragada.
Qual fantasma não me sou senão sonetos,
Que nesses versos foi que me edifiquei
E só existo em tantas quadras e tercetos
Conquanto muita prosa acrescentei.
Se a arca com os versos-bicharada
Não flutuar no meu próprio dilúvio
Terei eu vivido em vão por quase nada...
E o Guilherme me perdoe, pobre irmão,
Este espectro com seu cabelo ruivo
Que já até de rima pobre lança mão...
