Não mais consigo me sentir sem escrever
Sonetos sem parar, como uma louca.
Já imagino que querem me abater
A tiros... e não durmo mais de touca.
Mas se penso no mundo sem o verso
Eu o vejo prosaico em demasia
Como se lhe faltasse um universo
Ou a vida fosse falsa e vazia.
Não importa, "cada um desce do bonde
Como lhe apetece", disse o luso
Batendo o pó da roupa como um conde...
Ainda me resta a alternativa
De ajustar o horário do meu fuso
Para estar com vocês ainda mais viva.
Foto: a famosa e inesgotável Arca de inéditos da Alma
O Medo da Alma (de Alma Welt)
Devo aqui confessar meu maior medo
Que já me faz acordar sobressaltada,
Que é que tudo seja só engano ledo
E a minha Arca afunde, naufragada.
Qual fantasma não me sou senão sonetos,
Que nesses versos foi que me edifiquei
E só existo em tantas quadras e tercetos
Conquanto muita prosa acrescentei.
Se a arca com os versos-bicharada
Não flutuar no meu próprio dilúvio
Terei eu vivido em vão por quase nada...
E o Guilherme me perdoe, pobre irmão,
Este espectro com seu cabelo ruivo
Que já até de rima pobre lança mão...