domingo, 30 de setembro de 2012

Filosofia de vida (Alma Welt)


Como é bela a vida (eu sempre disse)!
Não me canso de a louvar e admirar,
Embora isto pareça bajulice
Para a própria vida me poupar

Porque sabemos que ela é de se vingar
E há quem diga até que nos engana
Se a gente não “desencanar”
Pensando que é uma espécie de gincana.

“Igual à vida nada nunca vi”,
Disse (mais ou menos) um cowboy
Num filme ruim americano... Quanto ri!

Mas suspeito que a Vida fez um pacto
Com a Morte, por isso tanto dói
Seja gravada em long-play ou em compacto...

 

domingo, 9 de setembro de 2012

Soneto de "Alta Ajuda" (de Alma Welt)


Ir de peito aberto qual Raimundo
É perigoso pois o mundo não é bom
É vasto, só que devastado e imundo,
E topas c’uma pedra qual Drummond.

Mas se mais vastos tens alma e coração
Irás malgrado meus bons ou maus conselhos
Aos confins do antigo reino do Butão
Lá mesmo onde nascem os espelhos.

O que não esperavas no pacote
É que passarás pela Pasárgada
De onde o Manuel virou mascote

Pois a rima é a única solução,
Que tudo faz sentido na largada
Mas no final só há mesmo o pó do chão...