sábado, 28 de abril de 2012

O Rapto (de Alma Welt)














O Rapto- gravura em metal (ponta-seca) 1968, de Guilherme de Faria



O Rapto (de Alma Welt)
Havia um vizinho estancieiro
Que tinha uma filha no cabresto
Até o dia que o seu gordo caseiro

Viu na prenda algo fora de contexto,

E a sombra da luxúria se mostrou

Muito mais convincente que o arreio
Que a moça carregava e se livrou

Tirando dos dentinhos o seu freio
E no dia do casório dessa prenda
Com escolhido do pai autoritário
A noiva não entregou a encomenda:

Lá se foi grinalda e cauda ao vento
Na garupa de um alazão sem páreo
No lance mais gordo de um momento...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O rei Tzibor (de Alma Welt)














Paisagem de Ciprestes (o Rei Tzibor) - desenho de Guilherme de Faria 1963, coleção Flávio Pacheco, São Paulo

O rei Tzibor (de Alma Welt) 

Eis que vem o rei Tzibor cavalgando
No seu corcel de pau e o escudeiro,
Com seu elmo de ferro desfilando,
Com planos de trair seu povo inteiro...

A fila de ciprestes, seu cenário,
O situa de maneira um tanto vaga
Num mundo de razão meio precário
Com a Morte e Loucura como praga...

E então eu pergunto ao velho artista
O que sabe do rei fraco e grotesco
Em sua visão crua e realista...

E ele me responde que não sabe
Porque um rei só precisa parentesco
Com um parvo que no seu próprio pé babe...
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sonetinho para São Francisco (de Alma Welt)


São Francisco dos peixes - óleo s/tela de Guilherme de Faria, 40x30cm

Sonetinho para São Francisco (de Alma Welt)

Entre os santos, além do meu Negrinho,
Aprecio bastante o São Francisco
Que falava com as aves no caminho
Mesmo que no olho entrasse um cisco,

Quando não coisa pior vinha no ar...
Mas o que mais merece estudos
E faz a gente mesmo se ajoelhar:
Peixes lhe escutarem embora mudos!

Mas ele ser poeta explica tudo
Pois um vate está no meio do caminho
Entre a santidade e o tal chifrudo

Que também adota estes coitados
E os faz viver de palmas, vento e vinho,
Para serem afinal pobres diabos...