sábado, 26 de setembro de 2020

La Femme avec humeur (de Alma Welt)

O amor verdadeiro não se explica,
Assim também o riso e a alegria.
Já a perda ou erro em dor implica,
Conquanto boa matéria de Poesia...

Quanto a mim, evito choradeira
Prefiro rir de mim com certo charme
Que palhaça não sou nem de brincadeira,
Faço rir mas só quem pode amar-me.

Disse-me um francês parisiense:
'Une belle femme avec humeur
C'ést parfaitment irresistible''

E eu com aquela cara de nonsense:
Monsieur, ici fait du chaleur
Et tu me parait enfant-terrible...
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26/09/2020

sábado, 5 de setembro de 2020

O ponto de vista do poeta (de Alma Welt)

Falei muito deste mundo em que vivi
Conforme ótica que penso ser sutil,
Que por ser olho de poeta, eu escolhi
Um viés "assim assim", meio em funil.

Vez por outra de um ângulo transversal
Como quem olha assim, meio de lado
Com o rabo do olho e disfarçado,
Para não ser flagrada e me dar mal.

Então levanto a pontinha do real
E perscruto bem por baixo, o dedo pondo,
Disfarçando em seguida, e coisa e tal...

Mas se perguntas o que tenho pra dizer
Depois de tanto apalpar olhar e ver,
"Pero acabo de hacer-lo", te respondo...

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04/09/2020

A griffe do amor (de Alma Welt)

O amor é inefável, na verdade,
Invocá-lo com palavras mal se pode,
Não por suposta e vã dignidade
Mas por não sabermos quando acode.

Porque há imitações meio grosseiras
Que vêm com a bela griffe falseada,
Quando então ficamos pelas beiras
Por comer gato por lebre na parada.

Bah! Eu mesma já vivi esta ilusão
De me julgar completa apaixonada,
De acordar com o coração na mão.

Depois quando o sonho no ar se esvai
Ou quando finalmente a ficha cai,
Acordamos de olho fixo no Nada...

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05/09/2020