domingo, 8 de maio de 2016

Homem rico, sua amante, seu cão (de Alma Welt)

          Homem rico, sua amante seu cão (desenho cubista de Guilherme de Faria, 1975)


Homem rico, sua amante, seu cão (de Alma Welt)

Era uma vez um homem muito rico
Que amava sua amante e seu cachorro,
Como eu, que ao soneto me dedico
Embora ele me venha, assim, de jorro.

Mas onde estava eu? Ah! O ricaço
Que triplo encomendou o seu retrato
A um tal pintor chinfrim meio Picasso,
Já estilhaçado o amor de fato...

E eis que se foram amante e cão
Para os braços de outro magnata
Como os vizinhos sempre são...

Mas ele não ligou, sempre altaneiro:
“Dinheiro (Millor disse esta bravata)
Até o amor compra, e verdadeiro...”

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