sábado, 26 de fevereiro de 2011

Macunaíma de saias (de Alma Welt)

Ninguém me diga que nem tudo revelei
E que fiz do meu soneto promoção
De mim, do pouco ou muito que pensei
Ou do meu jeito de tomar o chimarrão,

Quero dizer... do meu modo de vida,
Aliás considerado extravagante
Com esta tendência assumida
Ao nudismo e à poesia divagante.

Já contei até minha internação
Que terminou com fuga pela estrada
E quase estupro por chofer de caminhão.

Bem... sou afinal anti-heroína,
Minha poesia não serviu pra quase nada,
De saias fui talvez... Macunaíma!

(sem data)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Transferências (de Alma Welt)

Viver é certamente bem difícil,
E mais se começamos a pensar
No nexo ou razão de tudo isso,
Que é melhor então deixarmo-nos levar.

Bah! Viver como toda a maioria
Sem sequer pensar na transcendência,
A religião sendo mera alegoria
E a morte uma questão de transferência

Pois só ocorre com o outro, de verdade,
Enquanto a nossa própria é impossível
Pois Deus não nos faria essa maldade...

Embora talvez não haja um Deus
Pois não temos algo assim... plausível
Pra provar àqueles outros, os ateus...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O anti carnívoro (de Alma Welt)

Na vida quase tudo é relativo,
O bem e o mal e a temperança
Um justo tinha horror ao Cristo vivo
Pelo sermão seguido de matança

De peixes que também são seres vivos
E temem a morte como as gentes.
Assim falou Leonardo, não em livros,
Em códices bem pouco complacentes.

Mas as plantas seres também são,
E algumas até bem sensitivas...
Desconfio que têm um coração.

Então é melhor passarmos fome,
Porque por aqui somos visitas,
Em um deplorável come-come.