Ninguém me diga que nem tudo revelei
E que fiz do meu soneto promoção
De mim, do pouco ou muito que pensei
Ou do meu jeito de tomar o chimarrão,
Quero dizer... do meu modo de vida,
Aliás considerado extravagante
Com esta tendência assumida
Ao nudismo e à poesia divagante.
Já contei até minha internação
Que terminou com fuga pela estrada
E quase estupro por chofer de caminhão.
Bem... sou afinal anti-heroína,
Minha poesia não serviu pra quase nada,
De saias fui talvez... Macunaíma!
(sem data)
Este espaço é reservado à parcela da produção de sonetos da grande poetisa gaúcha ALMA WELT (1972-2007) que contém nítida conotação humorística, embora o humor sutil perpasse de um modo geral toda a sua obra.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Transferências (de Alma Welt)
Viver é certamente bem difícil,
E mais se começamos a pensar
No nexo ou razão de tudo isso,
Que é melhor então deixarmo-nos levar.
Bah! Viver como toda a maioria
Sem sequer pensar na transcendência,
A religião sendo mera alegoria
E a morte uma questão de transferência
Pois só ocorre com o outro, de verdade,
Enquanto a nossa própria é impossível
Pois Deus não nos faria essa maldade...
Embora talvez não haja um Deus
Pois não temos algo assim... plausível
Pra provar àqueles outros, os ateus...
E mais se começamos a pensar
No nexo ou razão de tudo isso,
Que é melhor então deixarmo-nos levar.
Bah! Viver como toda a maioria
Sem sequer pensar na transcendência,
A religião sendo mera alegoria
E a morte uma questão de transferência
Pois só ocorre com o outro, de verdade,
Enquanto a nossa própria é impossível
Pois Deus não nos faria essa maldade...
Embora talvez não haja um Deus
Pois não temos algo assim... plausível
Pra provar àqueles outros, os ateus...
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O anti carnívoro (de Alma Welt)
Na vida quase tudo é relativo,
O bem e o mal e a temperança
Um justo tinha horror ao Cristo vivo
Pelo sermão seguido de matança
De peixes que também são seres vivos
E temem a morte como as gentes.
Assim falou Leonardo, não em livros,
Em códices bem pouco complacentes.
Mas as plantas seres também são,
E algumas até bem sensitivas...
Desconfio que têm um coração.
Então é melhor passarmos fome,
Porque por aqui somos visitas,
Em um deplorável come-come.
O bem e o mal e a temperança
Um justo tinha horror ao Cristo vivo
Pelo sermão seguido de matança
De peixes que também são seres vivos
E temem a morte como as gentes.
Assim falou Leonardo, não em livros,
Em códices bem pouco complacentes.
Mas as plantas seres também são,
E algumas até bem sensitivas...
Desconfio que têm um coração.
Então é melhor passarmos fome,
Porque por aqui somos visitas,
Em um deplorável come-come.
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