Perdida de mim mesma então me vi
E posta em camisa de onze varas,
Sem as varas e amarrada atrás ali,
Por suspeita de umas e outras taras;
Posta em bela suíte acolchoada
Mas sem banheiro e sem a cama,
Tratada com requintes de uma dama
Por mordomos que não faziam nada
A não ser carregar-me por aí
Através de infinitos corredores
De um faustoso castelo dos horrores,
Finalmente liberada após fiança,
Talvez por ser filha do meu Vati
Que me mimou assim desde criança...
(sem data)
Este espaço é reservado à parcela da produção de sonetos da grande poetisa gaúcha ALMA WELT (1972-2007) que contém nítida conotação humorística, embora o humor sutil perpasse de um modo geral toda a sua obra.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Minha Pavana (de Alma Welt)
Posso bem imaginar minha pavana
Aquela, triste, da defunta que serei,
Envolta em pranto, dor e muita gana
De vingança e juras do meu rei,
Sim, Rodo, meu irmão e soberano
E seu fiel Galdério, bom ministro,
A ostentar agora um ar sinistro
Ao chamar nosso aliado Minuano
Para a batalha final com a potência
Que levou “esta defunta infanta amada” *
Aos páramos além de sua demência
Coroada de flores de bromélias,
Na verdade uma pobre desastrada,
A mais branca e tola das Ofélias...
15/01/2007
Aquela, triste, da defunta que serei,
Envolta em pranto, dor e muita gana
De vingança e juras do meu rei,
Sim, Rodo, meu irmão e soberano
E seu fiel Galdério, bom ministro,
A ostentar agora um ar sinistro
Ao chamar nosso aliado Minuano
Para a batalha final com a potência
Que levou “esta defunta infanta amada” *
Aos páramos além de sua demência
Coroada de flores de bromélias,
Na verdade uma pobre desastrada,
A mais branca e tola das Ofélias...
15/01/2007
Diretrizes e Metas (de Alma Welt)
Sejamos diretos, pragmáticos,
E escrevamos sonetos rigorosos
Que evitem conceitos sistemáticos
E evitem os versos adiposos
De firulas supérfluas redundantes,
Para que não morram nas estantes
Nossos versos plenos de verdades
E livres para todas as idades.
E se acaso injustamente acusados
De parnasianismos deslavados,
Tenhamos livre e leve a consciência,
Pois cumprimos a meta de ousadia
De nossa alma ativa e em vigência
Que exige um bom soneto cada dia...
(sem data)
E escrevamos sonetos rigorosos
Que evitem conceitos sistemáticos
E evitem os versos adiposos
De firulas supérfluas redundantes,
Para que não morram nas estantes
Nossos versos plenos de verdades
E livres para todas as idades.
E se acaso injustamente acusados
De parnasianismos deslavados,
Tenhamos livre e leve a consciência,
Pois cumprimos a meta de ousadia
De nossa alma ativa e em vigência
Que exige um bom soneto cada dia...
(sem data)
sábado, 4 de setembro de 2010
O Bardo (de Alma Welt)
Ouçam todos, pois, a voz do Bardo!
Assim anunciavam o poema
Que valia sempre muito a pena
Mesmo que causasse algum retardo
Na nossa tarefa mais urgente
Como correr atrás de uma galinha
Para escaldá-la depois em água quente
Enquanto fofocamos com a vizinha...
Mas um momento pleno de emoção
E sintonia com aquela voz profunda
Renovava o nosso gosto pela ação.
Voltar ao afazer mais comezinho
Como limpar um ranho ou uma bunda,
Era agora mais cheio de carinho...
(sem data)
Assim anunciavam o poema
Que valia sempre muito a pena
Mesmo que causasse algum retardo
Na nossa tarefa mais urgente
Como correr atrás de uma galinha
Para escaldá-la depois em água quente
Enquanto fofocamos com a vizinha...
Mas um momento pleno de emoção
E sintonia com aquela voz profunda
Renovava o nosso gosto pela ação.
Voltar ao afazer mais comezinho
Como limpar um ranho ou uma bunda,
Era agora mais cheio de carinho...
(sem data)
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