domingo, 15 de agosto de 2010

Érato e Mercúrio (de Alma Welt)

Para escrever o meu soneto
Não faço algum preparo ou ritual,
Que esses só faço se prometo
Aos deuses um estado mais geral.

De espírito elevado já me vejo
Invocando a grande Musa antiga
Que odeia o atacado e o varejo
E só trata de soneto e de cantiga.

Nunca pois do comércio aquele deus
Que dos bandidos também é padroeiro,
Mercúrio que foi “boy” do próprio Zeus

E hoje chama o ouro no cascalho
Envenena o rio e o ribeiro
E agora é o deus do rebotalho...

(sem data)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O sentido da Vida II (de Alma Welt)

Vivi a vida a pensar a própria vida,
Não que eu seja assim uma filósofa,
Só que escrever versos foi minha lida
E garanto não o fiz no meu sofá

Mas andando por aí junto do povo
E vendo como ele se comporta
Ante o dilema do tal primeiro o ovo
Ou galinha que a nós já não importa...

E ao pular um valo ao colher flores
Na coxilha onde brota a minha casa
Fiz versos com os meus próprios odores

E estou prestes a saber o que é a vida
Sem jamais perguntar se ela extravasa
Para o lado de lá... de tão metida.

(sem data)