Muito andei aí pelos galpões
A declamar meus poemas e sonetos
Com sucesso relativo entre os peões
Que entoam os versos dos tercetos
Como um refrão e às gargalhadas,
Batendo esporas, tacão e mesmo palma,
Anuências um tanto exageradas
E galanteios dúbios a esta Alma...
Mas percebo que vêm menos que poesia
Ou seja, alguma coisa meio escusa
Que está um pouco aquém da musa
Pois me tratam mesmo é como a prenda
De gringa rubra fenda quase lenda
Que eles têm na oculta fantasia...
12/09/1999
Este espaço é reservado à parcela da produção de sonetos da grande poetisa gaúcha ALMA WELT (1972-2007) que contém nítida conotação humorística, embora o humor sutil perpasse de um modo geral toda a sua obra.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Quadrilha (de Alma Welt)
Já estive com Noé naquela Arca,
E fui cabeleireira de Sansão
Depois de ser expulsa com Adão
Por furibundo anjo do Tetrarca.
Dei sopa de lentilhas ao irmão,
Por pura cobiça o fiz de bobo,
E causei no cego pai uma ilusão
Com pele de cordeiro feito lobo.
Depois, muito depois de consumado
Quis beijar a mão do falecido:
“Não me toques!” e saiu meio de lado.
E agora estou no Pampa com os sapos
Depois do coração ter em farrapos
Por amar um carcamano enlouquecido...
(sem data)
__________________________________________________
Notas
Alma, como Anima Mundi, sugere neste curioso soneto, ter sido inúmeros personagens através dos tempos:
*E fui cabeleireira de Sansão - Dalila, obviamente
*Depois de ser expulsa com Adão - Eva, obviamente
*Dei sopa de lentilhas ao irmão - Jacó, que com uma artimanha comprou o direito de primogenitura de seu irmão Esaú com um prato de lentilhas.
*E causei no cego pai uma ilusão
Com pele de cordeiro feito lobo - o mesmo Jacó, grande vigarista, cobriu-se com uma pele de cordeiro para que seu pai cego, Abraão, acariciando-o lhe desse a benção pensando ser o seu filho mais velho e preferido, o peludo Esaú...
*Quis beijar a mão do falecido:
“Não me toques!” e saiu meio de lado - alusão ao episódio do Evangelho, em que Maria Madalena encontra o Jesus ressucitado, quis beijar-lhe a mão e esse se esquiva dizendo o famoso "Noli me tangere"- "Não me toques" (porque ainda não subi ao meu Pai...)
* E agora estou no Pampa com os sapos
Depois do coração ter em farrapos
Por amar um carcamano enlouquecido... - Alma se sente como uma princesa agora só cercada de sapos, e não príncipes, depois de ter sido Anita Garibaldi e ter sido amada pelo grande aventureiro italiano Giuseppe Garibaldi, romance que começou durante a Guerra dos Farrapos...
E fui cabeleireira de Sansão
Depois de ser expulsa com Adão
Por furibundo anjo do Tetrarca.
Dei sopa de lentilhas ao irmão,
Por pura cobiça o fiz de bobo,
E causei no cego pai uma ilusão
Com pele de cordeiro feito lobo.
Depois, muito depois de consumado
Quis beijar a mão do falecido:
“Não me toques!” e saiu meio de lado.
E agora estou no Pampa com os sapos
Depois do coração ter em farrapos
Por amar um carcamano enlouquecido...
(sem data)
__________________________________________________
Notas
Alma, como Anima Mundi, sugere neste curioso soneto, ter sido inúmeros personagens através dos tempos:
*E fui cabeleireira de Sansão - Dalila, obviamente
*Depois de ser expulsa com Adão - Eva, obviamente
*Dei sopa de lentilhas ao irmão - Jacó, que com uma artimanha comprou o direito de primogenitura de seu irmão Esaú com um prato de lentilhas.
*E causei no cego pai uma ilusão
Com pele de cordeiro feito lobo - o mesmo Jacó, grande vigarista, cobriu-se com uma pele de cordeiro para que seu pai cego, Abraão, acariciando-o lhe desse a benção pensando ser o seu filho mais velho e preferido, o peludo Esaú...
*Quis beijar a mão do falecido:
“Não me toques!” e saiu meio de lado - alusão ao episódio do Evangelho, em que Maria Madalena encontra o Jesus ressucitado, quis beijar-lhe a mão e esse se esquiva dizendo o famoso "Noli me tangere"- "Não me toques" (porque ainda não subi ao meu Pai...)
* E agora estou no Pampa com os sapos
Depois do coração ter em farrapos
Por amar um carcamano enlouquecido... - Alma se sente como uma princesa agora só cercada de sapos, e não príncipes, depois de ter sido Anita Garibaldi e ter sido amada pelo grande aventureiro italiano Giuseppe Garibaldi, romance que começou durante a Guerra dos Farrapos...
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Diário de Bordo (de Alma Welt)
À doutora Jensen
Por ter sido flagrada em brincadeira
Com meu irmãozinho, e apanhar,
Ficou me faltando a saideira
Que eu iria então na vida procurar...
Não há o que me possa saciar
Quando se trata de amor e de carinhos
Nas zonas que quiseram me castrar
Que não passam de dois pobres buraquinhos.
Até hoje ainda quero me mostrar
Como a guria que levantou a saia
Sob a grande macieira do pomar.
Perdoe-me, Doutora, se discordo,
E contigo a fantasia ora recaia
E lance no diário meu, de bordo.
21/12/2005
Por ter sido flagrada em brincadeira
Com meu irmãozinho, e apanhar,
Ficou me faltando a saideira
Que eu iria então na vida procurar...
Não há o que me possa saciar
Quando se trata de amor e de carinhos
Nas zonas que quiseram me castrar
Que não passam de dois pobres buraquinhos.
Até hoje ainda quero me mostrar
Como a guria que levantou a saia
Sob a grande macieira do pomar.
Perdoe-me, Doutora, se discordo,
E contigo a fantasia ora recaia
E lance no diário meu, de bordo.
21/12/2005
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Estranha temporada (de Alma Welt)
Perdida de mim mesma então me vi
E posta em camisa de onze varas,
Sem as varas e amarrada atrás ali,
Por suspeita de umas e outras taras;
Posta em bela suíte acolchoada
Mas sem banheiro e sem a cama,
Tratada com requintes de uma dama
Por mordomos que não faziam nada
A não ser carregar-me por aí
Através de infinitos corredores
De um faustoso castelo dos horrores,
Finalmente liberada após fiança,
Talvez por ser filha do meu Vati
Que me mimou assim desde criança...
(sem data)
E posta em camisa de onze varas,
Sem as varas e amarrada atrás ali,
Por suspeita de umas e outras taras;
Posta em bela suíte acolchoada
Mas sem banheiro e sem a cama,
Tratada com requintes de uma dama
Por mordomos que não faziam nada
A não ser carregar-me por aí
Através de infinitos corredores
De um faustoso castelo dos horrores,
Finalmente liberada após fiança,
Talvez por ser filha do meu Vati
Que me mimou assim desde criança...
(sem data)
domingo, 12 de setembro de 2010
Minha Pavana (de Alma Welt)
Posso bem imaginar minha pavana
Aquela, triste, da defunta que serei,
Envolta em pranto, dor e muita gana
De vingança e juras do meu rei,
Sim, Rodo, meu irmão e soberano
E seu fiel Galdério, bom ministro,
A ostentar agora um ar sinistro
Ao chamar nosso aliado Minuano
Para a batalha final com a potência
Que levou “esta defunta infanta amada” *
Aos páramos além de sua demência
Coroada de flores de bromélias,
Na verdade uma pobre desastrada,
A mais branca e tola das Ofélias...
15/01/2007
Aquela, triste, da defunta que serei,
Envolta em pranto, dor e muita gana
De vingança e juras do meu rei,
Sim, Rodo, meu irmão e soberano
E seu fiel Galdério, bom ministro,
A ostentar agora um ar sinistro
Ao chamar nosso aliado Minuano
Para a batalha final com a potência
Que levou “esta defunta infanta amada” *
Aos páramos além de sua demência
Coroada de flores de bromélias,
Na verdade uma pobre desastrada,
A mais branca e tola das Ofélias...
15/01/2007
Diretrizes e Metas (de Alma Welt)
Sejamos diretos, pragmáticos,
E escrevamos sonetos rigorosos
Que evitem conceitos sistemáticos
E evitem os versos adiposos
De firulas supérfluas redundantes,
Para que não morram nas estantes
Nossos versos plenos de verdades
E livres para todas as idades.
E se acaso injustamente acusados
De parnasianismos deslavados,
Tenhamos livre e leve a consciência,
Pois cumprimos a meta de ousadia
De nossa alma ativa e em vigência
Que exige um bom soneto cada dia...
(sem data)
E escrevamos sonetos rigorosos
Que evitem conceitos sistemáticos
E evitem os versos adiposos
De firulas supérfluas redundantes,
Para que não morram nas estantes
Nossos versos plenos de verdades
E livres para todas as idades.
E se acaso injustamente acusados
De parnasianismos deslavados,
Tenhamos livre e leve a consciência,
Pois cumprimos a meta de ousadia
De nossa alma ativa e em vigência
Que exige um bom soneto cada dia...
(sem data)
sábado, 4 de setembro de 2010
O Bardo (de Alma Welt)
Ouçam todos, pois, a voz do Bardo!
Assim anunciavam o poema
Que valia sempre muito a pena
Mesmo que causasse algum retardo
Na nossa tarefa mais urgente
Como correr atrás de uma galinha
Para escaldá-la depois em água quente
Enquanto fofocamos com a vizinha...
Mas um momento pleno de emoção
E sintonia com aquela voz profunda
Renovava o nosso gosto pela ação.
Voltar ao afazer mais comezinho
Como limpar um ranho ou uma bunda,
Era agora mais cheio de carinho...
(sem data)
Assim anunciavam o poema
Que valia sempre muito a pena
Mesmo que causasse algum retardo
Na nossa tarefa mais urgente
Como correr atrás de uma galinha
Para escaldá-la depois em água quente
Enquanto fofocamos com a vizinha...
Mas um momento pleno de emoção
E sintonia com aquela voz profunda
Renovava o nosso gosto pela ação.
Voltar ao afazer mais comezinho
Como limpar um ranho ou uma bunda,
Era agora mais cheio de carinho...
(sem data)
domingo, 15 de agosto de 2010
Érato e Mercúrio (de Alma Welt)
Para escrever o meu soneto
Não faço algum preparo ou ritual,
Que esses só faço se prometo
Aos deuses um estado mais geral.
De espírito elevado já me vejo
Invocando a grande Musa antiga
Que odeia o atacado e o varejo
E só trata de soneto e de cantiga.
Nunca pois do comércio aquele deus
Que dos bandidos também é padroeiro,
Mercúrio que foi “boy” do próprio Zeus
E hoje chama o ouro no cascalho
Envenena o rio e o ribeiro
E agora é o deus do rebotalho...
(sem data)
Não faço algum preparo ou ritual,
Que esses só faço se prometo
Aos deuses um estado mais geral.
De espírito elevado já me vejo
Invocando a grande Musa antiga
Que odeia o atacado e o varejo
E só trata de soneto e de cantiga.
Nunca pois do comércio aquele deus
Que dos bandidos também é padroeiro,
Mercúrio que foi “boy” do próprio Zeus
E hoje chama o ouro no cascalho
Envenena o rio e o ribeiro
E agora é o deus do rebotalho...
(sem data)
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
O sentido da Vida II (de Alma Welt)
Vivi a vida a pensar a própria vida,
Não que eu seja assim uma filósofa,
Só que escrever versos foi minha lida
E garanto não o fiz no meu sofá
Mas andando por aí junto do povo
E vendo como ele se comporta
Ante o dilema do tal primeiro o ovo
Ou galinha que a nós já não importa...
E ao pular um valo ao colher flores
Na coxilha onde brota a minha casa
Fiz versos com os meus próprios odores
E estou prestes a saber o que é a vida
Sem jamais perguntar se ela extravasa
Para o lado de lá... de tão metida.
(sem data)
Não que eu seja assim uma filósofa,
Só que escrever versos foi minha lida
E garanto não o fiz no meu sofá
Mas andando por aí junto do povo
E vendo como ele se comporta
Ante o dilema do tal primeiro o ovo
Ou galinha que a nós já não importa...
E ao pular um valo ao colher flores
Na coxilha onde brota a minha casa
Fiz versos com os meus próprios odores
E estou prestes a saber o que é a vida
Sem jamais perguntar se ela extravasa
Para o lado de lá... de tão metida.
(sem data)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Fora de tom (de Alma Welt)
Estar no mundo e rir é o milagre
Que ocorre a quase toda gente.
Mas, pensando bem, estar contente
É suficiente razão que nos consagre
Pois ser infeliz é desperdício
Do dom da vida que a vida nos quis dar
E deveria suspeitar, o estrupício,
De si mesmo antes de se lamentar.
Mas se lamentar também é bom
Se o lamentoso for poeta apaixonado
Que o fará pelo que sofre calado.
Dito isso, agora deixem-me chorar
Por mim e pelos que perderam o tom
Da vida, e não conseguem se afinar...
Que ocorre a quase toda gente.
Mas, pensando bem, estar contente
É suficiente razão que nos consagre
Pois ser infeliz é desperdício
Do dom da vida que a vida nos quis dar
E deveria suspeitar, o estrupício,
De si mesmo antes de se lamentar.
Mas se lamentar também é bom
Se o lamentoso for poeta apaixonado
Que o fará pelo que sofre calado.
Dito isso, agora deixem-me chorar
Por mim e pelos que perderam o tom
Da vida, e não conseguem se afinar...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Paradoxo (de Alma Welt)
Que mais posso escrever? perguntaria,
Se preciso fosse achar assunto...
Mas aquilo que nascer precisaria
Virá à luz sem aquilo que pergunto
Pois tão imperioso é o poema
Que tantas vezes temo o que virá,
E o suspense que antecede o tema
É prazer, sofrimento e... Deus dará.
Aquilo que surgiu é verdadeiro
Pelo fato de estar no mundo agora
Como filho de alguém que foi embora,
E que é melhor nem saber o paradeiro.
Mas qual a fonte mesma deste verso
Que falhou em refletir meu universo?
(sem data)
Se preciso fosse achar assunto...
Mas aquilo que nascer precisaria
Virá à luz sem aquilo que pergunto
Pois tão imperioso é o poema
Que tantas vezes temo o que virá,
E o suspense que antecede o tema
É prazer, sofrimento e... Deus dará.
Aquilo que surgiu é verdadeiro
Pelo fato de estar no mundo agora
Como filho de alguém que foi embora,
E que é melhor nem saber o paradeiro.
Mas qual a fonte mesma deste verso
Que falhou em refletir meu universo?
(sem data)
terça-feira, 4 de maio de 2010
A Moira (de Alma Welt)
Ser prudente, modesta, equilibrada,
São coisas que nunca consegui;
Aceitar a pequenez como jornada
No mundo real em que me vi,
Jamais pude acatar e me rebelo
Somente por ser Alma e ignorar
Tudo o que mesmo não for belo
Ou que em beleza não possa transformar.
Meu consolo é que pouco desta vida
Não se pode em arte e graça revelar
Em sua bela imagem refletida.
Só a Moira me é ainda estranha
Como uma estrangeira em nosso lar
Que há muito se hospedou e não se banha...
(sem data
São coisas que nunca consegui;
Aceitar a pequenez como jornada
No mundo real em que me vi,
Jamais pude acatar e me rebelo
Somente por ser Alma e ignorar
Tudo o que mesmo não for belo
Ou que em beleza não possa transformar.
Meu consolo é que pouco desta vida
Não se pode em arte e graça revelar
Em sua bela imagem refletida.
Só a Moira me é ainda estranha
Como uma estrangeira em nosso lar
Que há muito se hospedou e não se banha...
(sem data
terça-feira, 27 de abril de 2010
Anti-soneto ( de Alma Welt)
Hoje decidi não escrever.
Sinto muito, não haverá soneto.
Não se trata de inspiração não ter,
Mas me faltou este quarteto.
O segundo me parece duvidoso:
É este que só quer aparecer.
Sem ter realmente o que dizer
Poderá criar um círculo vicioso.
Então me reduzi a um terceto:
O próximo, se este me resvale
E seja só um prólogo ou moteto.
Mas pensando bem, é melhor não:
Esta montanha é apenas o seu vale,
Ou uma torre que é só o rés do chão...
(sem data)
Sinto muito, não haverá soneto.
Não se trata de inspiração não ter,
Mas me faltou este quarteto.
O segundo me parece duvidoso:
É este que só quer aparecer.
Sem ter realmente o que dizer
Poderá criar um círculo vicioso.
Então me reduzi a um terceto:
O próximo, se este me resvale
E seja só um prólogo ou moteto.
Mas pensando bem, é melhor não:
Esta montanha é apenas o seu vale,
Ou uma torre que é só o rés do chão...
(sem data)
terça-feira, 30 de março de 2010
Amor e Arte (II) (de Alma Welt)
Francamente eu preferia a Morte
Se na vida não mais houvesse Arte.
Sei que é radical e muito forte
Proclamá-lo aqui e em qualquer parte.
Mas Amor é básico e irradiante
E faz rodar a Terra no seu eixo,
O sol e outras estrelas, disse Dante,
(para citar il Vate no seu fecho)...
Se é a Arte que a vida nos sublima
Com as cores mais belas da paleta,
O Amor é quem pinta e ilumina,
Faz obra-prima de simples garatuja,
Cria um Iris em pincelada preta,*
E torna lindo o filho da coruja...
16/08/2005
Se na vida não mais houvesse Arte.
Sei que é radical e muito forte
Proclamá-lo aqui e em qualquer parte.
Mas Amor é básico e irradiante
E faz rodar a Terra no seu eixo,
O sol e outras estrelas, disse Dante,
(para citar il Vate no seu fecho)...
Se é a Arte que a vida nos sublima
Com as cores mais belas da paleta,
O Amor é quem pinta e ilumina,
Faz obra-prima de simples garatuja,
Cria um Iris em pincelada preta,*
E torna lindo o filho da coruja...
16/08/2005
sábado, 6 de março de 2010
Um Eterno Retorno (de Alma Welt)
Os vikings, germanos e outros mais,
Morrer só desejavam com bravura,
Assim como os antigos samurais,
Pra voltar à mesma senda e vida dura.
Assim também est’Alma louca aqui,
Cedo tomada pela arte da Poesia,
Bem cedo irei morrer em nostalgia
Desta vida que, escrevendo, revivi.
Embora alguns bem cheios de revolta,
Acredito que os poetas são divinos...
Mas Deus com suficiente à sua volta
Relança sobre a terra os mais sofridos
Pela saudade dos ventos e dos sinos.
E bá! Tome mais cantos e alaridos!
(sem data)
Morrer só desejavam com bravura,
Assim como os antigos samurais,
Pra voltar à mesma senda e vida dura.
Assim também est’Alma louca aqui,
Cedo tomada pela arte da Poesia,
Bem cedo irei morrer em nostalgia
Desta vida que, escrevendo, revivi.
Embora alguns bem cheios de revolta,
Acredito que os poetas são divinos...
Mas Deus com suficiente à sua volta
Relança sobre a terra os mais sofridos
Pela saudade dos ventos e dos sinos.
E bá! Tome mais cantos e alaridos!
(sem data)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O Mesmerista (de Alma Welt)
Meu irmão convidou um jogador,
Seu colega aventureiro e “mesmerista”,
Que dizia anular qualquer pudor
Até de antiga freira ou normalista.
E que usara esse poder para vencer
No pôquer, o que quase lhe custara
A vida e mais um olho de sua cara
Retirado a canivete, sem tremer.
Mas a pedido dele em reservado,
Deixei caolho-rei dos fascinantes
Exercer o seu dom em pleno prado...
E voltei com o olhar esgazeado
Com passos abertos, claudicantes,
E o ar pleno e perdido das amantes...
(sem data)
Nota
Acabo de descobrir na Arca da Alma este curioso soneto, nitidamente humorístico, em que Alma conta um episódio real, que em parte testemunhei. Rodo trouxe, para passar uns dias aqui na estância, um "colega" jogador de pôquer profissional, que realmente tinha um olho de vidro e que contou que tinha usado seu dom de hipnotizar em pleno jogo privado com um milionário, e descoberto, passou por maus bocados, quase foi morto e acabou perdendo um olho como lição, retirado a canivete por um capanga do dito ricaço. Insinuante, deu um jeito de ser desafiado no seu dom mesmérico pela Alma, extremamente curiosa que ela era. Mas eu não soube na época desse resultado perturbador, que se deduz deste soneto... Teria a Alma, hipnotizada, sido estuprada em plena coxilha por esse pilantra? (Lucia Welt)
Seu colega aventureiro e “mesmerista”,
Que dizia anular qualquer pudor
Até de antiga freira ou normalista.
E que usara esse poder para vencer
No pôquer, o que quase lhe custara
A vida e mais um olho de sua cara
Retirado a canivete, sem tremer.
Mas a pedido dele em reservado,
Deixei caolho-rei dos fascinantes
Exercer o seu dom em pleno prado...
E voltei com o olhar esgazeado
Com passos abertos, claudicantes,
E o ar pleno e perdido das amantes...
(sem data)
Nota
Acabo de descobrir na Arca da Alma este curioso soneto, nitidamente humorístico, em que Alma conta um episódio real, que em parte testemunhei. Rodo trouxe, para passar uns dias aqui na estância, um "colega" jogador de pôquer profissional, que realmente tinha um olho de vidro e que contou que tinha usado seu dom de hipnotizar em pleno jogo privado com um milionário, e descoberto, passou por maus bocados, quase foi morto e acabou perdendo um olho como lição, retirado a canivete por um capanga do dito ricaço. Insinuante, deu um jeito de ser desafiado no seu dom mesmérico pela Alma, extremamente curiosa que ela era. Mas eu não soube na época desse resultado perturbador, que se deduz deste soneto... Teria a Alma, hipnotizada, sido estuprada em plena coxilha por esse pilantra? (Lucia Welt)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A risada da caveira (de Alma Welt)
O estranho fato de existir a Morte
Só pode ser de Deus a brincadeira
De mau gosto, feia, um tanto forte.
Senão, vejam a risada da caveira:
Seu riso alvar, sarcástico, grotesco,
E o corpo estilizado de fantoche
Do mais puro estilo picaresco
De escultor chegado no deboche.
Também não dá pra gostar da fedentina
Do banquete dos vermes que outrora
Os poetas chamavam de vermina.
Perdoe-me o fiel que tanto reza,
Que acha tudo belo e tudo preza,
E não vê o absurdo sob a aurora...
27/08/2006
Só pode ser de Deus a brincadeira
De mau gosto, feia, um tanto forte.
Senão, vejam a risada da caveira:
Seu riso alvar, sarcástico, grotesco,
E o corpo estilizado de fantoche
Do mais puro estilo picaresco
De escultor chegado no deboche.
Também não dá pra gostar da fedentina
Do banquete dos vermes que outrora
Os poetas chamavam de vermina.
Perdoe-me o fiel que tanto reza,
Que acha tudo belo e tudo preza,
E não vê o absurdo sob a aurora...
27/08/2006
domingo, 17 de janeiro de 2010
De poetas e poesia (de Alma Welt)
Poetas somos poucos, não adianta
Dizerem que é qual serviço público
Ou que poeta almoça mas não janta,
Que hoje o leitor é tão abúlico...
A poesia não morreu, está presente
Nas letras das canções que o povo canta
E deixa n’alma a tal rara semente
Que morre, germina e logo encanta.
A Poesia está em tudo, é parceira
Do homem do povo no seu dia,
Que sem ela ninguém suportaria
Vir ao Hotel Mundo em dura estada
Ou nascer de cruel parto sem parteira,
Se não temos mais Queen Mab, nossa fada...
(sem data)
Dizerem que é qual serviço público
Ou que poeta almoça mas não janta,
Que hoje o leitor é tão abúlico...
A poesia não morreu, está presente
Nas letras das canções que o povo canta
E deixa n’alma a tal rara semente
Que morre, germina e logo encanta.
A Poesia está em tudo, é parceira
Do homem do povo no seu dia,
Que sem ela ninguém suportaria
Vir ao Hotel Mundo em dura estada
Ou nascer de cruel parto sem parteira,
Se não temos mais Queen Mab, nossa fada...
(sem data)
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