Sim, preciso afinal me confessar:
Estou mesma viciada no soneto,
E como em consultório não me meto,
Esse vício vai por certo me matar.
Pois já ando com lápis e bloquinho,
E até com o toco atrás da orelha,
Como o da padaria, lá, do Minho,
Pro verso que me dará na telha,
Pulando um riacho ou na campina,
A brincar com os infantes no jardim,
Até no leito, que não mais de menina,
Onde em ondas de múltiplos orgasmos
Me pego a ver tercetos dentro em mim,
E sílabas contar por entre espasmos...
(sem data)
Este espaço é reservado à parcela da produção de sonetos da grande poetisa gaúcha ALMA WELT (1972-2007) que contém nítida conotação humorística, embora o humor sutil perpasse de um modo geral toda a sua obra.
sábado, 7 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
A vida (de Alma Welt)
A vida, meu amigo, é tão estranha
Que não fosse o risco de uma rima
Eu diria que é a teia de uma aranha
E no centro está aquela que dizima.
Ou então que a vida é uma aventura
Num trem fantasma de verdade
Em que os companheiros de tortura
Vão sumindo a cada feia novidade.
Ou ainda que a vida é uma trapaça
E que somos nós o trapaceiro
Vendedor de elixires de cachaça
Para nós e até para os amados
A quem amor juramos, verdadeiro,
Quando mal suportamos nossos Fados.
(sem data)
Que não fosse o risco de uma rima
Eu diria que é a teia de uma aranha
E no centro está aquela que dizima.
Ou então que a vida é uma aventura
Num trem fantasma de verdade
Em que os companheiros de tortura
Vão sumindo a cada feia novidade.
Ou ainda que a vida é uma trapaça
E que somos nós o trapaceiro
Vendedor de elixires de cachaça
Para nós e até para os amados
A quem amor juramos, verdadeiro,
Quando mal suportamos nossos Fados.
(sem data)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O sentido da Vida (de Alma Welt)
Viver é já por si um bom mistério
Sem resposta no plano da razão
E somente um suposto plano etéreo
Vem ainda alimentar nossa ilusão.
Pois se pensarmos muito no sentido
De estar aqui a comer e ver televisão,
Mesmo sendo um filme divertido,
Ou pior: americano e... de ação,
É pouco, muito pouco e fim de linha
Para uma caminhada tão sofrida,
Já que a humanidade assim caminha.
Mas ser poeta é encontrar o tempo todo
A beleza até na Morte, para a Vida,
A tal da flor a brotar em meio ao lodo...
28/07/2005
Sem resposta no plano da razão
E somente um suposto plano etéreo
Vem ainda alimentar nossa ilusão.
Pois se pensarmos muito no sentido
De estar aqui a comer e ver televisão,
Mesmo sendo um filme divertido,
Ou pior: americano e... de ação,
É pouco, muito pouco e fim de linha
Para uma caminhada tão sofrida,
Já que a humanidade assim caminha.
Mas ser poeta é encontrar o tempo todo
A beleza até na Morte, para a Vida,
A tal da flor a brotar em meio ao lodo...
28/07/2005
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